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Projeções macroeconómicas para a área do euro elaboradas por especialistas do BCE, março de 2026

1 Síntese

A economia da área do euro permaneceu resiliente em 2025, não obstante a incerteza e os choques em termos de políticas comerciais. As expectativas de crescimento foram consistentemente revistas em alta no decurso do ano passado e a economia manteve, em geral, este dinamismo positivo no início de 2026. No entanto, a guerra no Médio Oriente provocou nova incerteza e as perspetivas económicas voltaram a ficar ensombradas. A par de ataques a infraestruturas energéticas, as perturbações do transporte marítimo através do estreito de Ormuz, uma rota essencial para o comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), causaram uma volatilidade significativa nos mercados energéticos mundiais e fizeram subir os preços do petróleo e do gás. As projeções de referência elaboradas por especialistas do BCE têm subjacentes as trajetórias dos preços dos futuros das matérias‑primas energéticas até à data de fecho da informação de 11 de março de 2026[1]. Estas trajetórias sugerem que os preços médios trimestrais do petróleo e do gás atingirão um máximo de, respetivamente, cerca de 90 dólares dos Estados Unidos por barril e 50 euros por megawatt‑hora (MWh) no segundo trimestre de 2026, diminuindo nos trimestres subsequentes. Em consonância com estes pressupostos, as projeções de referência indicam uma subida da inflação, que reduzirá o poder de compra, as despesas de consumo e, consequentemente, o crescimento do produto interno bruto (PIB) – em especial, no curto prazo. Contudo, a evolução futura do conflito, o seu impacto nos preços dos produtos energéticos, na incerteza e na confiança, bem como a transmissão do choque sobre os preços dos produtos energéticos aos preços no consumidor dos produtos não energéticos permanecem extremamente incertos. Por conseguinte, as projeções de referência são complementadas com cenários hipotéticos alternativos, que pressupõem diferentes graus de gravidade do impacto económico na área do euro decorrente do conflito.

A economia da área do euro registou um crescimento de 0,2% no final do ano passado (o que está em consonância com as projeções de dezembro elaboradas por especialistas do Eurosistema), tendo sido apoiada pelo fortalecimento do consumo e do investimento público. Indicadores de curto prazo apontaram para a continuação de uma dinâmica de crescimento positiva nos dois primeiros meses de 2026, mas a guerra no Médio Oriente resultou numa revisão em baixa das perspetivas de crescimento no curto prazo, uma vez que os choques sobre os preços dos produtos energéticos e o aumento da incerteza provavelmente conduzirão a uma moderação do consumo e do investimento. Caso se verifique uma redução relativamente rápida dos preços dos produtos energéticos – como refletido pelos preços nos mercados de futuros de matérias‑primas energéticas – e da incerteza, este abrandamento deverá ser temporário. No médio prazo, a procura interna deverá continuar a ser o principal fator impulsionador do crescimento da área do euro, reforçada por um mercado de trabalho resiliente e pela despesa pública em infraestruturas e defesa, particularmente na Alemanha. A nível externo, embora o crescimento das exportações deva recuperar na sequência da melhoria da procura externa, é provável que a área do euro registe uma perda continuada de quotas de mercado mundiais, devido aos persistentes desafios de competitividade (incluindo alguns de natureza estrutural) e não obstante o facto de os direitos aduaneiros sobre exportações para os Estados Unidos serem um pouco mais baixos do que na altura das projeções de dezembro. As projeções de referência indicam que o crescimento anual do PIB real se situará em 0,9% em 2026, 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028. Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, o crescimento do PIB foi revisto em baixa em 0,3 pontos percentuais para 2026 e 0,1 pontos percentuais para 2027, em virtude da intensificação da guerra no Médio Oriente, mantendo‑se inalterado para 2028.

De acordo com as projeções, a inflação – medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) – deverá aumentar acentuadamente para 3,1% no segundo trimestre de 2026, impulsionada pela subida pronunciada da inflação dos preços dos produtos energéticos em resultado da crise no Médio Oriente, descendo para 2,8% no terceiro trimestre, após reduções dos preços das matérias‑primas energéticas, conforme implícito nos preços dos futuros. As projeções de referência indicam que a inflação dos preços dos produtos energéticos passará a ser negativa em 2027, devido sobretudo a efeitos de base em sentido descendente dos preços dos produtos energéticos, aumentando depois consideravelmente em 2028, altura em que se espera que a implementação do novo sistema de comércio de licenças de emissão da União Europeia (UE) – referido como “Comércio Europeu de Licenças de Emissão 2” ou “CELE 2” – tenha um impacto em alta de 0,2 pontos percentuais na inflação global. Projeta‑se que, à medida que as pressões sobre os custos decorrentes da subida acentuada dos preços dos produtos energéticos se repercutem nos preços no consumidor dos produtos alimentares, a inflação dos preços dos produtos alimentares suba a partir do final de 2026, abrandando depois em 2028. Segundo as projeções, a inflação medida pelo IHPC excluindo produtos energéticos e produtos alimentares (IHPCX) registará uma moderação, passando de 2,4% em 2025 para 2,1% em 2028. Ainda que a inflação medida pelo IHPCX também seja afetada por pressões sobre os custos advindas dos preços mais elevados dos produtos energéticos, considera‑se que tal é atenuado pelo ligeiro abrandamento das pressões sobre os custos do trabalho, pela anterior apreciação do euro e pela penetração das importações provenientes da China. De um modo geral, as projeções de referência indicam que a inflação medida pelo IHPC aumentará de 2,1% em 2025 para 2,6% em 2026, descendo para 2,0% em 2027 e subindo subsequentemente para 2,1% em 2028. O crescimento dos salários registará uma moderação nos próximos anos, embora a um ritmo mais lento do que o avançado em projeções anteriores, devido a alguns efeitos de compensação pela inflação relacionados com o choque sobre os preços dos produtos energéticos. Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, as perspetivas para a inflação global medida pelo IHPC foram revistas em alta em 0,7 pontos percentuais para 2026, sobretudo em virtude da componente de preços dos produtos energéticos. Foram objeto de uma revisão em alta de 0,2 pontos percentuais para 2027 e 0,1 pontos percentuais para 2028, devido à repercussão das pressões sobre os custos decorrentes dos preços mais elevados dos produtos energéticos no IHPCX e na componente de preços dos produtos alimentares, ao passo que a componente de preços dos produtos energéticos foi revista ligeiramente em baixa.

Além das projeções de referência, os especialistas do BCE prepararam cenários hipotéticos alternativos, que diferem em termos de pressupostos relativos à magnitude e persistência do choque sobre os preços dos produtos energéticos, ao seu impacto no enquadramento internacional e na incerteza, bem como à sua propagação através de efeitos indiretos e de segunda ordem à inflação. Estes cenários oferecem exemplos ilustrativos de trajetórias alternativas para os preços das matérias‑primas energéticas e a sua transmissão à economia da área do euro. Os especialistas do BCE não atribuem quaisquer probabilidades a estes cenários, que servem sobretudo para salientar as principais incertezas em relação ao impacto do conflito. Seguindo a convenção habitual utilizada nas projeções dos especialistas do BCE/Eurosistema, estes cenários ilustram os impactos na economia da área do euro sem qualquer reação em termos de política monetária ou orçamental para além dos fatores incluídos nas projeções de referência. O cenário adverso incorpora efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes do que as projeções de referência, com vista a captar possíveis não linearidades na propagação do choque inicial sobre os preços dos produtos energéticos a outros preços no conjunto da economia. Pressupõe uma subida muito mais pronunciada dos preços dos produtos energéticos, assim como um aumento da incerteza e das repercussões internacionais adversas (por exemplo, uma menor procura externa). Parte‑se do pressuposto de que os preços do petróleo e do gás atingem, respetivamente, um máximo de 119 dólares dos Estados Unidos por barril e 87 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, convergindo, no terceiro trimestre de 2027, para os pressupostos das projeções de referência. Em comparação com as projeções de referência, o cenário adverso implica que a inflação seria, respetivamente, 0,9 e 0,1 pontos percentuais mais elevada em 2026 e 2027, mas 0,5 pontos percentuais mais baixa em 2028, devido a pressões desinflacionistas decorrentes da rápida normalização dos preços dos produtos energéticos nesse ano. Em contrapartida, o crescimento económico seria inferior ao avançado nas projeções de referência para 2026 e 2027, mas superior no tocante a 2028. Comparativamente com o cenário adverso, o cenário grave pressupõe um choque mais forte e mais persistente sobre os preços dos produtos energéticos, maior incerteza e efeitos indiretos e de segunda ordem ainda mais fortes. Pressupõe‑se que os preços do petróleo e do gás atingem, respetivamente, um máximo de 145 dólares dos Estados Unidos por barril e 106 euros por MWh no segundo trimestre de 2026, descendo depois a um ritmo muito mais lento e permanecendo, no resto do horizonte de projeção, consideravelmente acima dos pressupostos utilizados nas projeções de referência e no cenário adverso. Em comparação com as projeções de referência, a inflação global seria significativa e persistentemente mais elevada durante o horizonte de projeção (1,8 pontos percentuais em 2026, 2,8% pontos percentuais em 2027 e 0,7 pontos percentuais em 2028). A diferença significativa da inflação em 2028 entre o cenário adverso (1,6%) e o cenário grave (2,8%), ilustrada no quadro 1, realça o papel fundamental da evolução do conflito, as perturbações no abastecimento energético e a dimensão dos mecanismos de propagação desencadeados pelo choque na determinação do impacto na inflação a médio prazo. O crescimento económico seria 0,4 a 0,5 pontos percentuais mais baixo em 2026 e 2027, subindo depois para 0,5 pontos percentuais acima das projeções de referência em 2028. O aumento do crescimento na parte final do horizonte de projeção espelha a pressuposta subida dos rendimentos e da procura resultante da resposta em sentido ascendente dos salários após a subida da inflação nos anos precedentes.

Por último, um conjunto de projeções baseadas em pressupostos técnicos com uma data de fecho da informação de 4 de março (incorporando informação relativa aos três primeiros dias úteis após o início da guerra no Médio Oriente) reflete perspetivas mais benignas, pressupondo‑se que os preços do petróleo e do gás atingem, respetivamente, um máximo de 79 dólares dos Estados Unidos por barril e 48 euros por MWh no segundo trimestre de 2026[2]. Em consonância com estas projeções, a inflação situar‑se‑ia 0,3 pontos percentuais abaixo das projeções de referência finais em 2026 e 0,1 pontos percentuais abaixo das mesmas em 2027 e 2028, ao passo que o crescimento seria 0,1 pontos percentuais mais elevado em cada ano do horizonte de projeção.

Quadro 1

Projeções para o crescimento e a inflação na área do euro

(variação anual em percentagem)

Dezembro de 2025 – projeções de referência

Março de 2026 – projeções de referência e cenários alternativos

Projeções de referência

Cenário adverso

Cenário grave

Projeções com data de fecho da informação de
4 de março

PIB real

2025

1,4

1,5

1,5

1,5

1,5

2026

1,2

0,9

0,6

0,4

1,0

2027

1,4

1,3

1,2

0,9

1,4

2028

1,4

1,4

1,6

1,9

1,5

IHPC

2025

2,1

2,1

2,1

2,1

2,1

2026

1,9

2,6

3,5

4,4

2,3

2027

1,8

2,0

2,1

4,8

1,9

2028

2,0

2,1

1,6

2,8

2,0

IHPCX

2025

2,4

2,4

2,4

2,4

2,4

2026

2,2

2,3

2,4

2,6

2,2

2027

1,9

2,2

2,7

3,9

2,0

2028

2,0

2,1

2,1

2,9

2,1

Notas: Os valores relativos ao PIB real referem‑se às médias anuais dos dados corrigidos de sazonalidade e de dias úteis. Os dados históricos podem divergir das publicações mais recentes do Eurostat, devido a divulgações de dados após a data de fecho da informação subjacente às projeções. Os dados para as projeções de referência estão disponíveis, também com frequência trimestral, para descarregamento da base de dados das projeções macroeconómicas no sítio do BCE.

2 Projeções macroeconómicas para a economia da área do euro – avaliação assente nas projeções de referência

2.1 Economia real

A atividade económica na área do euro aumentou 0,2% no quarto trimestre de 2025, em consonância com as projeções de dezembro (gráfico 1). Todas as principais economias da área do euro registaram um crescimento positivo no quarto trimestre de 2025. Contudo, uma forte contração na Irlanda – associada às atividades de empresas multinacionais – pesou sobre o crescimento agregado no conjunto da área do euro. Uma medida corrigida do PIB da área do euro – que utiliza a designada “procura interna modificada” em vez do PIB da Irlanda – aumentou 0,4% no último trimestre de 2025, ou seja, mais 0,1 pontos percentuais do que o avançado nas projeções de dezembro[3]. O crescimento do valor acrescentado bruto foi impulsionado pelos serviços (nomeadamente serviços de informação e comunicação, serviços de imobiliário e serviços públicos), enquanto a indústria transformadora registou nova contração. O consumo privado e o investimento público e em habitação revelaram‑se ligeiramente mais fortes do que o esperado, ao passo que os fluxos comerciais foram mais fracos.

O crescimento económico manteve o dinamismo nos dois primeiros meses de 2026, como implícito nos dados de inquéritos até fevereiro – ou seja, antes do início da guerra no Médio Oriente, em março. O Índice de Gestores de Compras (IGC) compósito do produto aumentou para 51,9 em fevereiro, impulsionado pela componente do produto na indústria transformadora, que subiu 1,4 pontos, passando para 51,9, enquanto o IGC para a atividade no setor dos serviços também subiu um pouco, situando‑se em 51,9. O Indicador de Sentimento Económico disponibilizado pela Comissão Europeia desceu ligeiramente em fevereiro, mas permaneceu acima do seu nível no final de 2025, apontando assim para a prossecução do crescimento, num contexto de maior confiança dos consumidores e do setor do comércio a retalho.

No entanto, a guerra no Médio Oriente desencadeou uma revisão em baixa das perspetivas de crescimento a curto prazo, dado ser provável que o choque sobre os preços dos produtos energéticos e a crescente incerteza reduzam o poder de compra das famílias e a confiança dos consumidores e das empresas. Os pressupostos técnicos subjacentes às projeções refletem a expectativa de um conflito relativamente contido no Médio Oriente e sugerem que o impacto adverso se concentraria no curto prazo. Estes pressupostos estão sujeitos a uma incerteza muito elevada e justificam uma maior incidência em cenários alternativos (ver a secção 3). As atuais projeções de referência implicam, no segundo e terceiro trimestres de 2026, uma dinâmica de consumo e investimento mais fraca do que o anteriormente esperado. Todavia, o aumento dos rendimentos reais, num contexto de mercados de trabalho resilientes, e o crescente estímulo orçamental deverão continuar a apoiar o crescimento. Considera‑se que o crescimento trimestral diminuirá de 0,3% no primeiro trimestre (que deverá permanecer relativamente pouco afetado pela guerra) para 0,1% no segundo trimestre e 0,2% no terceiro trimestre (gráfico 1, painel a). Em comparação com as projeções de dezembro, tal implica uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais para o segundo trimestre e de 0,2 pontos percentuais para o terceiro trimestre.

Gráfico 1

PIB real da área do euro

a) Crescimento do PIB real

b) Níveis do PIB real

(variação em termos trimestrais em cadeia (%); dados trimestrais corrigidos de sazonalidade e de dias úteis)

(volumes encadeados, em mil milhões de euros)

Notas: Os dados históricos podem diferir das publicações mais recentes do Eurostat. A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção. Este gráfico não apresenta bandas de incerteza em torno das projeções, o que reflete o facto de o cálculo normal dos intervalos dos gráficos de leque (com base em erros de projeção históricos) não constituir, nas presentes circunstâncias, uma indicação fiável da elevada incerteza em redor das projeções atuais. Em vez disso, a fim de ilustrar melhor a incerteza atual, na secção 3, são apresentados cenários alternativos assentes em pressupostos distintos para o grau de gravidade do impacto económico da guerra no Médio Oriente.

No médio prazo, projeta‑se que o crescimento anual do PIB real aumente de 0,9% em 2026 para 1,3% em 2027 e 1,4% em 2028, devido a uma recuperação da procura interna – com base no pressuposto subjacente, implícito nos futuros dos preços dos produtos energéticos, de um choque de curta duração – e ao contributo negativo das exportações líquidas passar a ser marginalmente positivo em 2027 (gráfico 2 e quadro 2). A queda do crescimento anual em 2026 para 0,9%, face a 1,5% em 2025, espelha tanto uma dinâmica intra‑anual inferior como um menor efeito de repercussão. Da perspetiva da despesa, projeta‑se que o consumo privado continuará a dar o maior contributo para o crescimento, sendo complementado por uma forte dinâmica de investimento.

  • A despesa das famílias deverá ser mais fraca no curto prazo, após o início da guerra no Médio Oriente, registando depois um fortalecimento no médio prazo. Considera‑se que o conflito reduzirá o consumo privado, principalmente através de perdas de poder de compra, da maior incerteza e do esperado nível de emprego um pouco mais baixo. Todavia, projeta‑se que o crescimento do consumo privado seja sustentado por um crescimento mais forte dos salários reais no médio prazo (após uma queda resultante da inflação mais elevada em 2026) e por mercados de trabalho ainda resilientes. O rácio de poupança das famílias deverá diminuir ligeiramente, não obstante algum impacto em alta da incerteza acrescida.
  • O ritmo de crescimento do investimento deverá ser superior ao do PIB no conjunto do horizonte de projeção, apesar de ter sido inicialmente enfraquecido pela guerra. Em particular, espera‑se que o conflito reduza o investimento privado através da incerteza acrescida e do efeito acelerador da menor procura. Contudo, o investimento empresarial deverá compensar, em grande medida, o abrandamento do investimento público em 2027 e 2028, após a cessação do programa “NextGenerationEU” (NGEU). Será apoiado pela melhoria da procura interna e externa, o aumento da despesa em defesa e infraestruturas, a diminuição da incerteza, as condições de financiamento ainda favoráveis e o fortalecimento dos lucros. O investimento em habitação deverá continuar a recuperar devido aos rendimentos mais elevados, num contexto de mercados de trabalho resilientes, mas é provável que o seu ritmo de crescimento seja mais moderado, visto que as taxas do crédito à habitação mais elevadas pesam sobre a acessibilidade dos empréstimos hipotecários.
  • O crescimento das exportações deverá permanecer fraco, dado que os persistentes desafios da área do euro em termos de competitividade, os direitos aduaneiros impostos pelos Estados Unidos e a anterior apreciação do euro continuam a pesar sobre o desempenho das exportações. A guerra no Médio Oriente deverá ter um impacto relativamente moderado no crescimento das exportações, que deverá beneficiar, no curto prazo, do recente desempenho económico um pouco melhor dos principais parceiros comerciais, assim como de um impulso moderado proporcionado por direitos aduaneiros mais baixos (ver a caixa 1). Mesmo assim, a expectativa é de que a área do euro apresente novas perdas de quota de mercado das exportações. De um modo geral, é provável que as exportações líquidas deem um pequeno contributo negativo para o crescimento do PIB real em 2026, passando a ser marginalmente positivas em 2027 e globalmente neutras em 2028.

A procura interna deverá ser apoiada pelo atual estímulo orçamental relacionado com a despesa em defesa e infraestruturas. Estima‑se que o impacto cumulativo, no crescimento, da despesa orçamental em defesa e infraestruturas – sobretudo na Alemanha e com um impulso mais forte em 2026 – se situe em 0,5 pontos percentuais[4]. As projeções seguem as convenções habituais, ou seja, incorporam apenas as medidas orçamentais já legisladas ou que foram anunciadas e têm elevada probabilidade de serem legisladas. Não são incluídas eventuais medidas futuras dos governos para conter o impacto económico da crise, tais como as observadas após a última subida acentuada dos preços dos produtos energéticos em 2022.

Gráfico 2

Crescimento do PIB real da área do euro – decomposições

a) Crescimento intra‑anual e efeitos de repercussão

b) Componentes da despesa

(variação anual em percentagem e contributos em pontos percentuais)

(variação anual em percentagem e contributos em pontos percentuais)

Notas: Os dados são corrigidos de sazonalidade e de dias úteis. Os dados históricos podem divergir das publicações mais recentes do Eurostat, devido a divulgações de dados após a data de fecho da informação subjacente às projeções. A linha vertical indica o início do horizonte de projeção. No painel a), os efeitos de repercussão estão relacionados com o impacto na taxa de crescimento média anual para o ano “t” decorrente do crescimento até ao quarto trimestre do ano “t‑1”.

Quadro 2

Projeções para o PIB real, comércio e mercado de trabalho

(variação anual em percentagem, salvo indicação em contrário; revisões em pontos percentuais)

Março de 2026

Revisões em relação a dezembro de 2025

2025

2026

2027

2028

2025

2026

2027

2028

PIB real

1,5

0,9

1,3

1,4

0,1

‑0,3

‑0,1

0,0

Consumo privado

1,6

1,0

1,1

1,2

0,3

‑0,2

‑0,2

0,1

Consumo público

1,6

1,8

1,1

1,3

‑0,2

0,3

0,0

0,1

Investimento

3,1

1,9

1,7

2,1

0,7

‑0,3

‑0,7

‑0,1

Exportações1)

2,1

1,2

2,4

2,8

0,2

‑0,4

0,0

0,2

Importações1)

3,7

2,0

2,4

2,9

0,5

‑0,3

‑0,3

0,1

Contributo para o PIB de:

Procura interna

1,8

1,3

1,2

1,3

0,2

‑0,1

‑0,2

0,0

Exportações líquidas

‑0,6

‑0,3

0,1

0,0

‑0,1

0,0

0,1

0,0

Variação de existências

0,3

‑0,1

0,0

0,0

‑0,1

‑0,1

0,0

0,0

Emprego2)

0,7

0,5

0,4

0,4

0,0

‑0,1

‑0,1

‑0,1

Taxa de desemprego

6,3

6,3

6,3

6,2

0,0

0,1

0,2

0,3

Notas: O PIB real e as suas componentes referem‑se a dados corrigidos de sazonalidade e de dias úteis. Os dados históricos podem divergir das publicações mais recentes do Eurostat, devido a divulgações de dados após a data de fecho da informação subjacente às projeções. As revisões são calculadas a partir de valores arredondados.
1) Inclui o comércio intra‑área do euro.
2) Pessoas empregadas.

Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, o crescimento do PIB real foi objeto de uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais para 2026 e de 0,1 pontos percentuais para 2027, tendo permanecido inalterado para 2028 (gráfico 3). Dados relativos ao consumo privado e ao investimento melhores do que o esperado no tocante a 2025 foram, em geral, contrabalançados por um comércio líquido mais fraco e por menores contributos do consumo público para o crescimento, o que implicou apenas uma ligeira revisão em alta do crescimento do PIB para 2025. A guerra no Médio Oriente levou a uma revisão em baixa do crescimento médio do PIB em 2026 – em parte, com base em juízos técnicos que têm em conta o esperado impacto negativo na confiança dos consumidores e das empresas decorrente dos aumentos pronunciados da incerteza e da volatilidade nos mercados financeiros e de matérias‑primas. Esta revisão implicou um efeito de repercussão negativo para o crescimento em 2027 (gráfico 3, painel a). O impacto adverso geral das alterações dos pressupostos relativos a 2026 e 2027 foi parcialmente compensado por alguns efeitos em sentido ascendente do impulso orçamental, relacionados sobretudo com planos de consolidação um pouco menos ambiciosos num país de grande dimensão, mas também com despesas em defesa um pouco mais elevadas (ver a caixa 3). As políticas orçamentais mais favoráveis em alguns países, a redução dos preços das matérias‑primas energéticas e uma procura externa um pouco mais robusta implicariam um crescimento mais forte em 2028, compensando na totalidade quaisquer repercussões persistentes do choque transitório sobre a atividade, o que resulta numa não revisão do crescimento para 2028. Em termos das componentes da despesa (gráfico 3, painel b), as revisões em baixa para 2026 e 2027 referem‑se ao consumo e ao investimento, assim como à variação de existências – refletindo este último fator importações mais fracas.

Gráfico 3

Revisões das projeções para o crescimento do PIB real em comparação com as projeções de dezembro de 2025

a) Decomposição em efeitos intra‑anuais e de repercussão

b) Decomposição nas principais componentes da despesa

(em pontos percentuais)

(em pontos percentuais)

Notas: A linha vertical indica o início do horizonte de projeção. As revisões são calculadas com base em valores não arredondados.

De acordo com as projeções, o mercado de trabalho permanecerá, em geral, resiliente, em virtude de ser expectável que as empresas acumulem mão de obra em resposta a uma queda temporária da atividade económica, devido à guerra no Médio Oriente. Em 2025, o crescimento do emprego diminuiu após anos de crescimento bastante forte. Antes da guerra no Médio Oriente, já se projetava que o crescimento do emprego diminuiria em 2026 e 2027, prosseguindo a fase de reequilíbrio. No enquadramento atual, é amplamente expectável que as empresas acumulem mão de obra no curto prazo, tendo em conta o choque negativo sobre o produto decorrente das pressupostas repercussões transitórias da guerra no Médio Oriente. Contudo, este efeito pode ser atenuado pela pressão sobre os lucros advinda dos custos de produção elevados, o que limitaria a margem de manobra para acumulação de mão de obra. Em geral, projeta‑se que o crescimento do emprego registe uma descida mais forte em 2027 e 2028, em comparação com as projeções de dezembro (gráfico 4, painel a). Esta trajetória de correção dá origem, no curto prazo, a revisões em baixa do crescimento da produtividade do trabalho em relação às projeções de dezembro, revisões essas que são compensadas por ganhos em 2027 e 2028. De igual modo, a taxa de desemprego deverá subir ligeiramente em 2026, baixar a partir de 2027 e atingir um nível de 6,1% no final de 2028 – uma revisão em alta face às projeções de dezembro (gráfico 4, painel b).

Gráfico 4

Mercado de trabalho

a) Emprego

b) Taxa de desemprego

(variação anual em percentagem)

(em percentagem da população ativa)

Nota: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção.

Caixa 1
Enquadramento internacional

Tal como na área do euro, os efeitos adversos da guerra no Médio Oriente sobre a economia mundial deverão ser impulsionados principalmente pelos preços muito mais elevados das matérias‑primas energéticas[5]. Aliados à maior restritividade das condições financeiras mundiais e à incerteza acrescida, estes enfraqueceram as perspetivas para a economia mundial, anteriormente apoiadas pelo aumento do investimento em inteligência artificial e por políticas económicas favoráveis nas principais economias. Além disso, os direitos aduaneiros mais baixos aplicados pelos Estados Unidos na sequência de uma decisão do Supremo Tribunal deste país – apesar de serem parcialmente compensados por uma taxa mundial temporária imposta pela Administração dos Estados Unidos (ver a caixa 2) – estão a proporcionar algum apoio ao crescimento mundial, embora a incerteza das políticas comerciais se mantenha elevada.

Nas projeções de referência, estima‑se que o conflito reduzirá o crescimento do PIB real mundial em 0,4 pontos percentuais nos próximos dois anos, refletindo a pressuposta trajetória dos preços das matérias‑primas energéticas. Em relação às projeções de dezembro, a guerra contrabalança o impacto positivo, no crescimento mundial, decorrente de um crescimento mais forte do que o esperado em finais de 2025 e do impulso moderado dos direitos aduaneiros mais baixos aplicados pelos Estados Unidos. De um modo geral, projeta‑se que o crescimento do PIB real mundial diminua para 3,3% em 2026, face a 3,6% em 2025, e permaneça estável em 2027 e 2028, mantendo‑se praticamente inalterado em relação às projeções anteriores (quadro A).

Quadro A

Enquadramento internacional

(variação anual em percentagem, revisões em pontos percentuais)

Março de 2026

Revisões em relação a dezembro de 2025

2025

2026

2027

2028

2025

2026

2027

2028

PIB real mundial (excluindo a área do euro)

3,6

3,3

3,2

3,3

0,1

0,0

‑0,1

0,0

Comércio mundial (excluindo a área do euro)1)

5,0

2,3

2,9

3,2

0,6

0,3

‑0,2

0,1

Procura externa da área do euro2)

4,3

2,1

3,0

3,3

0,5

0,2

‑0,1

0,3

Índice de preços no consumidor mundial (excluindo a área do euro)

3,1

3,1

2,7

2,5

0,0

0,3

0,2

‑0,1

Preços das exportações dos concorrentes em euros3)

‑2,2

1,3

2,2

1,6

‑0,3

1,6

0,2

‑0,4

Nota: As revisões são calculadas a partir de valores arredondados.
1) Calculado como uma média ponderada das importações.
2) Calculada como uma média ponderada das importações dos parceiros comerciais da área do euro.
3) Calculados como uma média ponderada dos deflatores das exportações dos parceiros comerciais da área do euro.

Em comparação com a anterior ronda de projeções, a inflação global mundial medida pelo índice de preços no consumidor (IPC) foi revista em alta para os próximos dois anos, impulsionada pelo choque sobre os preços dos produtos energéticos[6]. Em relação a 2026, o impacto inflacionista dos preços dos produtos energéticos mais elevados é parcialmente compensado por dados para a inflação mais baixos do que o esperado e pelo efeito dos direitos aduaneiros mais reduzidos. A inflação global mundial deverá manter‑se em 3,1% (ou seja, inalterada face ao ano passado), descendo para 2,7% em 2027 e 2,5% em 2028.

O conflito deverá enfraquecer a procura externa da área do euro e elevar os preços das exportações dos concorrentes da área do euro. Os preços mais altos dos produtos energéticos deverão reduzir a procura por parte dos parceiros comerciais da área do euro, incluindo de bens e serviços exportados da área do euro. Este impacto negativo supera o efeito positivo dos direitos aduaneiros ligeiramente reduzidos, em comparação com a anterior ronda de projeções. Contudo, dados mais fortes do que o esperado indicam um crescimento um pouco superior da procura externa da área do euro este ano, em relação às projeções de dezembro. Projeta‑se que o crescimento da procura externa da área do euro abrandará acentuadamente, diminuindo de 4,3% em 2025 para 2,1% em 2026. Segundo as projeções, os preços das exportações dos concorrentes da área do euro, expressos em euros, aumentarão de forma mais pronunciada este ano do que o anteriormente projetado, espelhando o efeito combinado da transmissão dos preços mundiais mais elevados dos produtos energéticos e da depreciação do euro observada desde o início do conflito.

Caixa 2
Pressupostos técnicos e relativos a direitos aduaneiros

Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, os pressupostos técnicos incorporam preços das matérias‑primas energéticas consideravelmente mais altos para 2026, devido ao conflito no Médio Oriente, mas preços do carbono mais baixos e preços das ações mais elevados. Após a ação militar de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro, e a subsequente retaliação pelo regime iraniano, os preços do petróleo e do gás subiram significativamente num contexto de considerável volatilidade. Em resultado, os pressupostos relativos aos preços do petróleo e do gás em 2026 foram revistos em alta em quase, respetivamente, 30% e 57% face às projeções de dezembro de 2025 (gráfico A). No entanto, em 2028, como a inclinação da curva a prazo dos preços do petróleo e do gás é fortemente descendente, os preços do petróleo e do gás deverão ser, respetivamente, apenas 10% e 4% superiores aos valores avançados nas projeções de dezembro. Pressupõe‑se que os preços da eletricidade sejam quase 17% mais elevados do que o indicado nas projeções de dezembro em 2026, mas, em média, 1,5% mais baixos em 2027 e 2028. Os preços do primeiro sistema de comércio de licenças de emissão (o CELE 1) foram revistos em sentido descendente, em média, em 13% para o conjunto do horizonte de projeção, ao passo que o pressuposto para os preços do CELE 2 permaneceu inalterado. O euro manteve‑se globalmente inalterado desde as projeções de dezembro, tanto face ao dólar dos Estados Unidos como em termos efetivos nominais, num contexto de volatilidade significativa. As expectativas do mercado quanto às taxas de juro de curto prazo foram revistas em alta em 0,3 pontos percentuais para 2026, 0,5 pontos percentuais para 2027 e 0,3 pontos percentuais para 2028, tendo as taxas de juro de longo prazo também sido revistas em sentido ascendente em 0,1 pontos percentuais para o conjunto do horizonte de projeção.

Gráfico A

Preços das matérias‑primas energéticas

a) Preço do petróleo

b) Preço do gás natural e preço da eletricidade por grosso

(USD/barril)

(EUR/MWh)

Nota: A linha vertical indica o início do horizonte de projeção.

Na sequência de um acórdão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, as taxas pautais efetivas aplicadas por este país às importações (incluindo importações provenientes da área do euro) desceram em comparação com as projeções anteriores. Considerando que, ao abrigo da lei sobre os poderes económicos em caso de emergência internacional (International Emergency Economic Powers Act), os direitos aduaneiros antes impostos pela Administração dos Estados Unidos foram declarados inconstitucionais, foi introduzida uma taxa única “mundial” temporária de 10% sobre as importações para os Estados Unidos, com isenções semelhantes às anteriormente aplicadas. Esta taxa é aplicável independentemente dos acordos comerciais existentes com os Estados Unidos e pressupõe‑se que se manterá inalterada no decurso do horizonte de projeção. A nova taxa mundial implica uma redução da taxa pautal efetiva aplicada pelos Estados Unidos às importações da área do euro, de 12,1% para 10,5%, em comparação com as projeções de dezembro[7]. Uma vez que as alterações implicam maiores reduções dos direitos aduaneiros para outros parceiros comerciais dos Estados Unidos – em particular, a China, o Brasil e a Índia –, o impacto na taxa pautal efetiva global dos Estados Unidos é superior (4,9 pontos percentuais inferior ao indicado nas projeções de dezembro) e estima‑se agora que a taxa se situe em 13,7%. Por conseguinte, os exportadores da área do euro perderam alguma competitividade no mercado dos Estados Unidos em relação a exportadores de países terceiros que beneficiam de uma maior redução das taxas pautais[8].

Quadro A

Pressupostos técnicos

Março de 2026

Revisões em relação a dezembro de 2025

2024

2025

2026

2027

2028

2025

2026

2027

2028

Matérias‑primas:

Preço do petróleo (USD/barril)

81,2

69,1

81,3

72,1

70,2

‑0,1

30,1

15,2

9,7

Preços do gás natural (EUR/MWh)

34,4

36,2

46,4

36,6

26,1

‑0,7

56,6

33,1

4,2

Preços por grosso da eletricidade (EUR/MWh)

77,7

83,6

87,7

77,9

65,2

‑0,4

16,8

5,7

‑8,7

Licenças de emissão do CELE 1 (EUR/tonelada de CO2)

65,2

73,9

72,9

73,4

75,5

0,2

‑11,9

‑13,8

‑13,8

Licenças de emissão do CELE 2 (EUR/tonelada de CO2)

46,0

0,0

Preços das matérias‑primas não energéticas, em USD (variação anual, em percentagem)

9,2

5,8

0,8

0,5

‑0,6

0,1

0,7

0,0

‑0,3

Taxas de câmbio:

Taxa de câmbio USD/EUR

1,08

1,13

1,16

1,16

1,16

0,1

0,4

0,2

0,2

Taxa de câmbio efetiva nominal do euro (TCE40) (T1 1999 = 100)

124,4

128,3

129,6

129,4

129,4

0,5

‑0,1

‑0,3

‑0,3

Pressupostos financeiros:

EURIBOR a três meses (em percentagem por ano)

3,6

2,2

2,3

2,6

2,6

0,0

0,3

0,5

0,3

Taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a dez anos (em percentagem por ano)

2,9

3,3

3,3

3,5

3,7

0,2

0,1

0,1

0,1

Notas: As revisões são expressas como percentagens para os níveis e como pontos percentuais para as taxas de crescimento e percentagens por ano. As revisões das taxas de crescimento e das taxas de juro são calculadas utilizando valores arredondados para uma casa decimal, enquanto as revisões reportadas como variação percentual são calculadas a partir de valores não arredondados. Os pressupostos técnicos relativos às taxas de juro da área do euro e aos preços das matérias‑primas têm por base as expectativas do mercado, com uma data de fecho da informação de 11 de março de 2026. Os preços do petróleo referem‑se aos preços à vista e dos futuros do petróleo bruto Brent. Os preços do gás referem‑se aos preços à vista e dos futuros do gás na Title Transfer Facility (TTF), a facilidade de transferência de títulos neerlandesa. Os preços da eletricidade referem‑se ao preço médio por grosso à vista e dos futuros para os cinco países de maior dimensão da área do euro. O preço “sintético” dos futuros de licenças de emissão do CELE 1 é calculado como o valor de fim de mês linearmente interpolado dos dois futuros de licenças de emissão mais próximos da European Energy Exchange. É então calculada a média dos preços mensais dos futuros de licenças de emissão para determinar um equivalente à frequência anual. Na ausência de uma negociação significativa de licenças de emissão no âmbito do CELE 2, os pressupostos relativos a preços foram definidos pelos especialistas do BCE/Eurosistema em conformidade com o pressuposto pela Comissão Europeia nas suas previsões económicas do outono de 2025 (ver a caixa 2 das projeções de dezembro de 2025). As trajetórias dos preços das matérias‑primas são as implícitas nos mercados de futuros no período de três dias úteis findo na data de fecho da informação. Quanto às taxas de câmbio bilaterais, pressupõe‑se que, durante o horizonte de projeção, permanecem inalteradas nos níveis médios prevalecentes no período de três dias úteis findo na data de fecho da informação. Os pressupostos referentes às taxas de rendibilidade nominais das obrigações de dívida pública a dez anos da área do euro têm por base a média das taxas de rendibilidade das obrigações a dez anos dos países, ponderada em função dos valores anuais do PIB. Quando os dados necessários estão disponíveis, as taxas de rendibilidade nominais das obrigações de dívida pública a dez anos de cada país são definidas como as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a dez anos de referência, prolongadas utilizando as taxas de rendibilidade a prazo ao par, calculadas, na data de fecho da informação, a partir das correspondentes curvas de rendimento de cada país. Para os restantes países, as taxas de rendibilidade das obrigações de dívida pública a dez anos de cada país são definidas como a taxa de rendibilidade das obrigações de dívida pública a dez anos de referência, prolongada utilizando um diferencial constante (observado na data de fecho da informação) superior ao pressuposto técnico relativo às taxas de juro de longo prazo da área do euro isentas de risco.

2.2 Preços e custos

Segundo as projeções, a inflação global subirá de 2,1% em 2025 para 2,6% em 2026, espelhando os aumentos substanciais dos pressupostos relativos aos preços do petróleo e aos preços por grosso do gás (gráficos 5 e 6). No primeiro semestre de 2026, considera‑se que a evolução da inflação global acompanhará a subida acentuada da inflação dos preços dos produtos energéticos, que está em consonância com os preços dos futuros, mas também reflete o recente aumento das margens de refinação e distribuição dos combustíveis para transporte[9]. Considera‑se que a inflação global subirá de 2,1% no primeiro trimestre de 2026 para 3,1% no segundo trimestre, desacelerando depois para 2,7% no segundo semestre do ano. A inflação dos preços dos produtos alimentares deverá registar nova descida no curto prazo e subir um pouco apenas na parte final do ano, em virtude das crescentes pressões acumuladas decorrentes dos preços dos produtos energéticos e de outros custos de produção. No que respeita à inflação medida pelo IHPCX, considera‑se que estabilizará em torno de 2,3%, devendo os efeitos indiretos da inflação dos preços dos produtos energéticos ser limitados.

Gráfico 5

Inflação medida pelo IHPC na área do euro

(variação anual em percentagem)

Notas: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção. Este gráfico não apresenta bandas de incerteza em torno das projeções, o que reflete o facto de o cálculo normal dos intervalos dos gráficos de leque (com base em erros de projeção históricos) não constituir, nas presentes circunstâncias, uma indicação fiável da elevada incerteza em redor das projeções atuais. Em vez disso, a fim de ilustrar melhor a incerteza atual, na secção 3, são apresentados cenários alternativos assentes em pressupostos distintos para o grau de gravidade do impacto económico da guerra no Médio Oriente.

Gráfico 6

Inflação medida pelo IHPC na área do euro – decomposição nas principais componentes

(variação anual em percentagem; em pontos percentuais)

Nota: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção.

Em 2027, a inflação medida pelo IHPC deverá descer para 2,0%, principalmente em virtude de uma queda da inflação dos preços dos produtos energéticos, aumentando para 2,1% em 2028, devido, em grande medida, a uma subida da inflação dos preços dos produtos energéticos impulsionada pelos preços do carbono (gráfico 7, painel b). A descida da inflação global em 2027 reflete sobretudo efeitos de base em sentido descendente e a queda dos preços dos produtos energéticos, em conformidade com um perfil descendente dos futuros dos preços do petróleo e dos preços por grosso do gás (ver a caixa 2), com a inflação dos preços dos produtos energéticos a regressar a terreno negativo a partir do segundo trimestre (gráfico 7, painel a). Considera‑se que a inflação medida pelo IHPCX registará uma ligeira moderação, ao passo que a inflação dos preços dos produtos alimentares continuará a aumentar. A subida da inflação global para 2,1% em 2028 deve‑se principalmente a um aumento significativo da inflação dos preços dos produtos energéticos, impulsionado por medidas orçamentais relacionadas com a transição climática e, em particular, pela introdução do CELE 2, que deverá fazer subir a inflação global em 0,2 pontos percentuais[10].

Relativamente à inflação dos preços dos produtos alimentares, projeta‑se que diminuirá no curto prazo, aumentando depois devido à transmissão desfasada dos preços dos produtos energéticos e apresentando uma moderação em 2028 (gráfico 7, painel b). Deverá diminuir de 2,5% no primeiro trimestre de 2026 para 2,1% no terceiro trimestre, impulsionada sobretudo pela evolução da componente de produtos alimentares não transformados. Esta descida reflete também o recente abrandamento dos preços de determinadas matérias‑primas alimentares, tais como o açúcar, o cacau e o café. Projeta‑se que, subsequentemente, a inflação dos preços dos produtos alimentares suba para cerca de 2,6% no final de 2026 e registe nova subida para 2,9% em 2027, em virtude da transmissão desfasada dos preços mais elevados dos produtos energéticos. Em 2028, deverá diminuir para 2,3%, espelhando a descida dos preços das matérias‑primas e o abrandamento das pressões salariais.

Gráfico 7

Perspetivas para a inflação das componentes de produtos energéticos e produtos alimentares do IHPC

a) Componente de produtos energéticos do IHPC

(variação anual em percentagem)


b) Componente de produtos alimentares do IHPC

(variação anual em percentagem)

Nota: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção.

A inflação medida pelo IHPCX deverá manter‑se um pouco mais persistente, mas, mesmo assim, registar uma moderação de 0,1 pontos percentuais em cada ano do horizonte, descendo de 2,4% em 2025 para 2,1% em 2028 (gráfico 8). Ainda que a inflação medida pelo IHPCX também seja afetada por pressões sobre os custos advindas dos preços mais elevados dos produtos energéticos, considera‑se que tal é atenuado pelas pressões um pouco menores sobre os custos do trabalho, pela anterior apreciação do euro e pela penetração das importações provenientes da China. Projeta‑se que a inflação medida pelo IHPCX se situe em 2,3% no primeiro trimestre de 2026 e desça apenas de forma muito gradual para 2,1% no final do horizonte. Algumas pressões sobre os custos relacionadas com os produtos energéticos deverão fazer subir a inflação dos preços dos serviços – em particular, dos serviços de transporte –, apesar de essa subida ser atenuada por um abrandamento gradual dos custos do trabalho. A inflação dos produtos industriais não energéticos deverá oscilar em torno dos níveis atuais no curto prazo, refletindo os efeitos redutores gerados pela anterior apreciação do euro e a penetração das importações provenientes da China, embora seja parcialmente compensada por pressões mais elevadas sobre os custos dos fatores de produção energéticos.

Gráfico 8

Inflação medida pelo IHPCX na área do euro

(variação anual em percentagem)

Notas: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção. Este gráfico não apresenta bandas de incerteza em torno das projeções, o que reflete o facto de o cálculo normal dos intervalos dos gráficos de leque (com base em erros de projeção históricos) não constituir, nas presentes circunstâncias, uma indicação fiável da elevada incerteza em redor das projeções atuais. Por conseguinte, a fim de ilustrar melhor a incerteza atual, na secção 3, são apresentados cenários alternativos assentes em pressupostos distintos para o grau de gravidade do impacto económico da guerra no Médio Oriente.

Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, a inflação global medida pelo IHPC foi revista em alta em 0,7 pontos percentuais para 2026, sobretudo em virtude da inflação dos preços dos produtos energéticos, com revisões em sentido ascendente muito menores para 2027 e 2028, devido às componentes não energéticas (gráfico 9). A revisão em alta da inflação global no que respeita a 2026 advém principalmente de uma forte revisão em sentido ascendente da inflação dos preços dos produtos energéticos, em consonância com os pressupostos. A inflação dos preços dos produtos energéticos foi revista em baixa para o resto do horizonte de projeção, em resultado do rápido desvanecimento da subida acentuada de curto prazo dos pressupostos relativos aos preços do petróleo e aos preços por grosso do gás (ver a caixa 2). A revisão em alta da inflação global em 2027 e 2028 reflete a transmissão desfasada das pressões mais elevadas sobre os custos geradas pelos preços mais altos dos produtos energéticos ao IHPCX e às componentes de preços dos produtos alimentares. As revisões em sentido ascendente da inflação dos preços dos produtos alimentares e do IHPCX refletem, em parte, uma correção em alta limitada baseada na apreciação dos especialistas do BCE para captar efeitos de transmissão mais fortes dos preços mais elevados dos produtos energéticos, que podem ser ligeiramente subestimados pelos instrumentos normais de modelização no contexto de grandes choques sobre os preços dos produtos energéticos.

Gráfico 9

Revisões da projeção para a inflação face às projeções de dezembro de 2025

(em pontos percentuais)

Notas: As revisões são calculadas com base em valores não arredondados.

Quadro 3

Evolução dos preços e dos custos na área do euro

(variação anual em percentagem, revisões em pontos percentuais)

Março de 2026

Revisões em relação a dezembro de 2025

2025

2026

2027

2028

2025

2026

2027

2028

IHPC

2,1

2,6

2,0

2,1

0,0

0,7

0,2

0,1

IHPC excluindo o CELE 2

2,1

2,6

2,0

1,9

0,0

0,7

0,2

0,0

IHPC excluindo produtos energéticos

2,5

2,3

2,4

2,2

0,0

0,1

0,4

0,2

IHPCX

2,4

2,3

2,2

2,1

0,0

0,1

0,3

0,1

Componente de produtos energéticos do IHPC

‑1,4

6,2

‑2,0

0,7

0,0

7,2

‑2,0

‑1,5

Componente de produtos alimentares do IHPC

2,8

2,4

2,9

2,3

0,0

0,0

0,5

0,1

Deflator do PIB

2,5

2,4

2,3

2,2

0,1

0,2

0,2

0,1

Deflator das importações

‑0,1

4,3

1,4

0,9

0,0

3,6

‑0,3

‑0,9

Deflator do consumo privado

2,0

2,8

2,0

2,1

‑0,1

0,8

0,1

0,0

Remuneração por trabalhador

3,9

3,4

3,2

3,1

‑0,1

0,2

0,3

0,1

Remuneração real por trabalhador

1,8

0,6

1,2

1,0

‑0,1

‑0,6

0,2

0,2

Produtividade por trabalhador

0,7

0,4

0,9

1,0

0,0

‑0,2

0,0

0,1

Custos unitários do trabalho

3,1

3,0

2,3

2,1

‑0,2

0,4

0,3

0,0

Notas: As revisões são calculadas utilizando valores arredondados para uma casa decimal. Os valores para os deflatores das importações e do PIB, os custos unitários do trabalho, bem como a remuneração e a produtividade por trabalhador baseiam‑se em dados corrigidos de sazonalidade e de dias úteis. Os dados históricos podem divergir das publicações mais recentes do Eurostat, devido a divulgações de dados após a data de fecho da informação subjacente às projeções. Os dados estão disponíveis, também com frequência trimestral, para descarregamento da base de dados das projeções macroeconómicas no sítio do BCE.

O crescimento dos salários nominais deverá registar nova moderação em 2026 e, em seguida, apresentar um movimento, em geral, lateral no resto do horizonte de projeção, embora a uma taxa mais elevada do que o avançado nas projeções de dezembro. De acordo com dados do Eurostat, o crescimento da remuneração por trabalhador diminuiu para 3,7% no quarto trimestre de 2025, o que compara com 3,9% nas projeções de dezembro. Deverá abrandar de 3,9%, em média, em 2025 para 3,1% no último trimestre de 2026, mantendo‑se depois globalmente em torno deste nível em 2027 e 2028 (gráfico 10, painel a). Projeta‑se que o crescimento dos salários reais diminua em 2026 e convirja gradualmente para o nível de crescimento da produtividade na segunda parte do horizonte de projeção (gráfico 10, painel b). Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, o crescimento da remuneração por trabalhador foi revisto em alta para o conjunto do horizonte de projeção, espelhando alguns efeitos da compensação pela inflação relacionados com o choque sobre os preços dos produtos energéticos.

Gráfico 10

Perspetivas de evolução salarial

a) Remuneração por trabalhador

(variação anual em percentagem)


b) Remuneração real por trabalhador e produtividade

(variação anual em percentagem)

Notas: A linha vertical indica o início do atual horizonte de projeção. No painel b), os valores são deflacionados pelo deflator do consumo privado.

Projeta‑se que o crescimento dos custos unitários do trabalho apresente apenas uma ligeira moderação em 2026 – impulsionado por um menor crescimento dos salários, que é parcialmente compensado pelo crescimento mais baixo da produtividade – e observe nova diminuição em 2028, com a recuperação do crescimento da produtividade. Em média, o crescimento dos custos unitários do trabalho deverá registar uma moderação, passando de 3,1% em 2025 para 3,0% em 2026 e 2,1% em 2028. O crescimento do deflator do PIB deverá diminuir de uma média de 2,5% em 2025 para 2,2% em 2028, em resultado do menor crescimento dos custos unitários do trabalho. Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, o crescimento do PIB foi objeto de uma ligeira revisão em alta para o conjunto do horizonte de projeção.

Embora os resultados recentes para os preços das importações tenham sido atenuados pela apreciação do euro e por fontes de abastecimento a baixo custo da China, espera‑se que aumentem acentuadamente no segundo trimestre de 2026, impulsionados pelos preços das matérias‑primas energéticas. Em termos anuais, projeta‑se que a taxa de crescimento do deflator das importações suba de ‑0,1% em 2025 para 4,3% em 2026. Daí em diante, projeta‑se que diminua rapidamente, refletindo as pressupostas descidas dos preços dos produtos energéticos.

Caixa 3
Evolução orçamental[11]

Segundo as projeções, após uma ligeira diminuição em 2025, a restritividade da orientação orçamental da área do euro diminuirá fortemente em 2026, aumentando um pouco em 2027 e 2028, mas as perspetivas estão sujeitas a incerteza (quadro A)[12]. A redução da restritividade em 2026 deve‑se principalmente ao maior investimento público e às transferências orçamentais mais altas. O maior investimento reflete sobretudo a elevada despesa em defesa e infraestruturas na Alemanha, assim como em outros países de menor dimensão, e, em certa medida, o investimento financiado pelo NGEU. Em 2027 e 2028, o aumento da restritividade da orientação orçamental é explicado pela esperada consolidação em muitos países (incluindo Itália, França e Espanha) e pela cessação da maior parte do estímulo proporcionado pelas subvenções do NGEU, o que é amplamente compensado pelo estímulo, principalmente na Alemanha. As perspetivas orçamentais estão sujeitas a uma elevada incerteza, exacerbada pela guerra no Médio Oriente. A orientação orçamental poderá revelar‑se mais expansionista do que o pressuposto nas projeções de referência, caso os governos respondam com medidas de apoio face aos preços dos produtos energéticos.

Em comparação com as projeções de dezembro de 2025, espera‑se que a orientação orçamental seja um pouco menos restritiva (em cerca de 0,2 pontos percentuais do PIB) no período de 2025 a 2028. Os dados mais recentes indicam que a orientação orçamental em 2025 foi menos restritiva em cerca de 0,1 pontos percentuais do PIB, face a dezembro. Tal deveu‑se sobretudo a um maior investimento público – em particular, na Alemanha, onde esteve relacionado com a defesa, bem como em Itália e França. Em termos cumulativos, a diminuição da restritividade da orientação orçamental no período de 2026 a 2028 deverá corresponder a cerca de 0,1 pontos percentuais do PIB. Tal deve‑se principalmente a medidas discricionárias menos restritivas em França, na sequência das recentes alterações do orçamento para 2026. A redução da restritividade em França é compensada, em parte, pela maior restritividade noutros países, decorrente sobretudo de um crescimento menos dinâmico da despesa.

Quadro A

Perspetivas orçamentais para a área do euro

(em percentagem do PIB; revisões em pontos percentuais)

Março de 2026

Revisões em relação a dezembro de 2025

2024

2025

2026

2027

2028

2025

2026

2027

2028

Orientação orçamental1)

0,9

‑0,1

‑0,3

0,2

0,2

‑0,1

0,0

0,0

0,0

Saldo orçamental das administrações públicas

‑3,1

‑3,1

‑3,4

‑3,6

‑3,6

‑0,1

‑0,1

‑0,2

‑0,2

Saldo orçamental estrutural2)

‑3,0

‑3,1

‑3,4

‑3,7

‑3,7

‑0,1

‑0,1

‑0,2

‑0,2

Dívida bruta das administrações públicas

86,6

87,5

88,3

89,0

89,5

0,2

0,3

0,4

0,4

Notas: As revisões baseiam‑se em valores não arredondados.
1) A orientação orçamental é medida como a variação do saldo primário corrigido do ciclo. Os valores apresentados são igualmente corrigidos de subvenções pagas e esperadas ao abrigo do NGEU, que não têm impacto na economia do lado da receita. Um valor negativo (positivo) implica uma redução (um aumento) da restritividade da orientação orçamental.
2) O saldo orçamental estrutural é calculado como o saldo orçamental das administrações públicas, líquido de efeitos transitórios do ciclo económico (ou o saldo primário corrigido do ciclo, acima referido, mais pagamentos de juros) e líquido de medidas classificadas como “temporárias”, de acordo com a definição do Sistema Europeu de Bancos Centrais.

Projeta‑se que os rácios do défice orçamental e da dívida da área do euro aumentem, tendo sido revistos em alta face às projeções de dezembro (quadro A). Após ter permanecido globalmente inalterado em 3,1% do PIB em 2025, projeta‑se que o défice orçamental da área do euro aumente de forma bastante forte, passando para 3,6% do PIB em 2027 e estabilizando nesse nível em 2028. Este aumento reflete sobretudo um rácio crescente de pagamentos de juros em relação ao PIB (de cerca de 0,4 pontos percentuais), seguido de uma deterioração do saldo primário corrigido do ciclo, apenas ligeiramente compensada por uma melhoria da componente cíclica no final do horizonte. O rácio da dívida em relação ao PIB da área do euro encontra‑se numa trajetória ascendente, visto que os défices primários contínuos e os ajustamentos défice‑dívida positivos superam os efeitos favoráveis, embora em diminuição, dos diferenciais entre taxa de juro e taxa de crescimento. Em comparação com as projeções de dezembro, o défice orçamental e a dívida pública foram revistos em alta para o conjunto do horizonte de projeção, devido ao agravamento do saldo primário corrigido do ciclo.

3 Cenários alternativos para as implicações económicas da guerra no Médio Oriente

3.1 Perspetiva geral das narrativas dos cenários alternativos

Atendendo à elevada incerteza que rodeia o leque de resultados possíveis da atual guerra no Médio Oriente e o seu impacto nos preços dos produtos energéticos e na incerteza, bem como a propagação à economia, a presente secção apresenta cenários alternativos ilustrativos que complementam a avaliação assente nas projeções de referência[13]. Estes cenários incorporam lições importantes retiradas da avaliação de 2025 da estratégia de política monetária do BCE – nomeadamente, que as não linearidades e os efeitos de segunda ordem na inflação podem ter importância no contexto de grandes choques e que os cenários são um dispositivo fundamental para a comunicação num ambiente de incerteza e volatilidade acrescidas. Estes cenários oferecem exemplos ilustrativos de trajetórias alternativas hipotéticas dos preços das matérias‑primas energéticas e da sua propagação à economia da área do euro. Os especialistas do BCE não atribuem quaisquer probabilidades a estes cenários, que servem sobretudo para ilustrar as principais incertezas em relação ao impacto do conflito. Enquanto as projeções de referência incorporam as trajetórias dos preços das matérias‑primas energéticas subjacentes aos pressupostos técnicos (ver a caixa 2) e a incerteza observada nos mercados financeiros, os cenários consideram duas trajetórias alternativas possíveis para os preços dos produtos energéticos, a incerteza e a sua transmissão à economia. Estes cenários diferem em três aspetos importantes: a intensidade do choque inicial sobre o abastecimento energético, a persistência das perturbações e o grau de incerteza (quadro 4).

  • Cenário adverso: pressupõe que, no segundo trimestre de 2026, 40% dos fluxos de petróleo e GNL que transitam pelo estreito de Ormuz são interrompidos, principalmente devido a um bloqueio do estreito, sem grandes danos em infraestruturas energéticas (para além dos já ocorridos). O resultado é uma subida significativa dos preços das matérias‑primas e um aumento temporário da incerteza nos mercados financeiros. Parte‑se do pressuposto de que as perturbações persistem até ao terceiro trimestre de 2026 e que, subsequentemente, os volumes de oferta normalizam. Como se pressupõe que as perturbações refletem um bloqueio e não a destruição de infraestruturas, a oferta recupera com relativa rapidez após a cessação das restrições.
  • Cenário grave: tem como pressuposto perturbações mais intensas e prolongadas do que no cenário adverso. O choque no abastecimento energético é maior, pressupondo‑se que (no segundo trimestre) são interrompidos 60% dos fluxos de petróleo e de GNL que transitam pelo estreito de Ormuz. Além disso, pressupõe‑se que parte das perturbações resultarão de ações militares que danificam infraestruturas energéticas, atrasando o restabelecimento do abastecimento. Em resultado, os volumes de oferta só começam a regressar ao normal no primeiro trimestre de 2027, sendo a normalização mais gradual do que no cenário adverso. A incerteza aumenta de forma mais acentuada e é mais persistente.

Ambos os cenários incorporam não linearidades, implicando efeitos indiretos e de segunda ordem mais fortes na inflação da área do euro do que nas projeções de referência, pressupondo‑se, porém, uma não reação da política monetária e das políticas orçamentais. Em consonância com a avaliação de 2025 da estratégia de política monetária, permitir um ajustamento não linear visa captar a possibilidade de um choque de maior dimensão sobre os preços dos produtos energéticos se propagar mais fortemente à economia em geral do que um choque de menor dimensão. De acordo com a convenção habitual utilizada nas análises de cenários nas projeções elaboradas por especialistas do BCE/Eurosistema, os cenários pressupõem que a política monetária e as políticas orçamentais permanecem inalteradas em comparação com as projeções de referência.

Quadro 4

Narrativa das projeções de referência e dos cenários alternativos relativamente à guerra no Médio Oriente

Cenário

Persistência de perturbações agudas do abastecimento energético

Preços das matérias‑primas

Incerteza

Efeitos indiretos e de segunda ordem na inflação

Reposta em termos de políticas orçamentais e política monetária na área do euro

Projeções de referência

Nenhum pressuposto explícito sobre a duração do conflito ou a destruição de infraestruturas energéticas

Preços dos produtos energéticos seguem os pressupostos técnicos mais recentes (data de fecho da informação de 11 de março de 2026)

Em consonância com o aumento observado no índice VIX (4,4 pontos entre 27 de fevereiro de 2026 e a data de fecho da informação de 11 de março de 2026)

Correção em alta limitada, com base numa apreciação para ter em conta possíveis impactos maiores, em comparação com as elasticidades dos modelos normais, devido à dimensão do choque energético

Taxas de juro de curto prazo seguem os pressupostos técnicos mais recentes (data de fecho da informação de 11 de março de 2026). Apenas políticas orçamentais já legisladas ou anunciadas e bem especificadas (ver a caixa 3).

Cenário adverso

Perturbações agudas do abastecimento energético persistem até ao terceiro trimestre de 2026
Não se verifica maior destruição significativa de infraestruturas energéticas

Diminuição de 40% dos fluxos de petróleo e GNL que transitam pelo estreito de Ormuz no segundo trimestre de 2026
Início da normalização dos volumes (e preços) a partir do quarto trimestre de 2026
Normalização rápida dos volumes de oferta após o restabelecimento do trânsito através do estreito

Aumento de 10 pontos do índice VIX, com uma rápida inversão no terceiro trimestre de 2026 para o nível do quarto trimestre de 2025

Escala entre as projeções de referência e os impactos observados após a invasão da Ucrânia em 2022 (ver a nota de rodapé 18)

Nenhuma além das políticas contempladas nas projeções de referência

Cenário grave

Perturbações agudas do abastecimento energético persistem até ao quarto trimestre de 2026

Considerável maior destruição de infraestruturas energéticas

Diminuição de 60% dos fluxos de petróleo e GNL que transitam pelo estreito de Ormuz no segundo trimestre de 2026
Início da normalização dos volumes (e preços) a partir do primeiro trimestre de 2027
Normalização lenta dos volumes de oferta após a resolução do conflito, devido à destruição de infraestruturas energéticas

Aumento de 14 pontos do índice VIX, mantendo‑se a incerteza significativamente mais elevada, em comparação com o cenário adverso, até ao final de 2027

Escala entre as projeções de referência e os impactos observados após a invasão da Ucrânia em 2022 (impactos mais fortes do que no cenário adverso para ter em conta não linearidades significativas em caso de grandes choques) (ver a nota de rodapé 18)

Nenhuma além das políticas contempladas nas projeções de referência

3.2 Principais pressupostos subjacentes aos cenários alternativos

3.2.1 Preços das matérias‑primas energéticas

Os preços do petróleo e do gás aumentariam consideravelmente, se o conflito tiver um impacto mais duradouro no abastecimento energético. Os cenários acima descritos resultam em diferentes dinâmicas de preços dos produtos energéticos (gráfico 11 e quadro 5). As projeções de referência pressupõem que os preços médios trimestrais do petróleo e os preços do gás europeu atingem, respetivamente, um máximo de cerca de 90 dólares dos Estados Unidos por barril e de 50 euros por MWh, no segundo trimestre de 2026, descendo depois de forma relativamente rápida nos trimestres seguintes. No cenário adverso, as perturbações do abastecimento desencadeiam novos aumentos acentuados dos preços dos produtos energéticos, com os preços do petróleo a subirem para quase 120 dólares por barril e os preços do gás a aproximar‑se de 90 euros por MWh no segundo trimestre de 2026[14]. No entanto, como se pressupõe que os volumes de oferta regressam rapidamente à normalidade, os preços começam a diminuir a partir do quarto trimestre de 2026, convergindo para os pressupostos das projeções de referência no terceiro trimestre de 2027. No cenário grave, o choque do abastecimento inicial muito mais forte eleva os preços do petróleo e do gás para, respetivamente, quase 150 dólares por barril e 110 euros por MWh no segundo trimestre de 2026. Dado que as perturbações do abastecimento demoram mais tempo a resolver, o impacto do choque nos preços é mais persistente, com uma descida muito mais lenta. Os preços do petróleo e do gás permanecem, assim, significativamente acima dos pressupostos das projeções de referência e do cenário adverso, no conjunto do horizonte de projeção. Contudo, não obstante a gravidade do choque inicial, os preços do petróleo e do gás permanecem, durante a maior parte do horizonte de projeção, abaixo do percentil 95 das densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções (ver também a secção 4.1).

Gráfico 11

Pressupostos para as trajetórias dos preços das matérias‑primas energéticas

a) Petróleo

b) Gás

(nível de preços, USD/barril)

(nível de preços, EUR/MWh)

Fontes: BCE e cálculos do BCE.
Notas: Os cenários relativos aos preços do petróleo são construídos com base na elasticidade do preço do petróleo a choques do abastecimento de petróleo, tal como estimado em Caldara et al. (2019), enquanto os cenários relativos aos preços do gás são construídos com base na elasticidade do preço do gás a choques do abastecimento de gás, tal como estimado em Albrizio et al. (2023). Os percentis 95 e 75 referem‑se às densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções para os preços do petróleo e do gás em 11 de março de 2026.

Quadro 5

Cenários de preços das matérias‑primas energéticas – níveis e desvios em relação às projeções de referência

Cenário

T2 2026 (USD/barril ou EUR/MWh)

T2 2026 (% de desvio em relação às projeções de referência)

T4 2028 (USD/barril ou EUR/MWh)

T4 2028 (% de desvio em relação às projeções de referência)

Cenário adverso

Preços do petróleo

119

33%

70

0%

Preços do gás

87

73%

24

0%

Cenário grave

Preços do petróleo

145

62%

103

47%

Preços do gás

106

109%

43

77%

Fontes: BCE e cálculos do BCE.
Notas: Os cenários relativos aos preços do petróleo são construídos com base na elasticidade do preço do petróleo a choques do abastecimento de petróleo, tal como estimado em Caldara et al. (2019), enquanto os cenários relativos aos preços do gás são construídos com base na elasticidade do preço do gás a choques do abastecimento de gás, tal como estimado em Albrizio et al. (2023).

3.2.2 Incerteza

Ambos os cenários pressupõem que uma intensificação da guerra no Médio Oriente aumentaria a incerteza a nível mundial e desencadearia uma reavaliação de preços nos mercados financeiros, ainda que em diferentes graus, o que pesaria sobre o consumo privado, o investimento e o comércio. No cenário adverso, o índice VIX – utilizado como aproximação da incerteza mundial – sobe cerca de 10 pontos em resultado do impacto da guerra, regressando depois gradualmente aos níveis observados no final de 2025 no terceiro trimestre de 2026 (gráfico 12, painel a). Pressupõe‑se, assim, que a volatilidade nos mercados financeiros é temporária, espelhando a esperada estabilização das condições financeiras, pois não se verifica uma nova deterioração da situação geopolítica e a incerteza diminui. No cenário grave, o índice VIX sobe cerca de 14 pontos, globalmente em consonância com o aumento observado após o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia e durante anteriores episódios de tensão geopolítica. Se bem que, a partir de então, a volatilidade diminui de forma gradual, permanece elevada por um período prolongado, refletindo a persistente incerteza geopolítica e a fragilidade do sentimento do mercado[15].

Gráfico 12

Volatilidade dos mercados financeiros e choques financeiros

a) Índice VIX

b) Choques financeiros na área do euro no cenário grave

(índice)

(desvios em pontos base e em percentagem em relação à projeção incondicional do modelo BVAR)

Fontes: BCE, CBOE Global Markets e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: No painel a), as projeções de referência referem‑se a uma previsão incondicional de trajetória baseada num modelo BVAR. O modelo inclui o índice VIX, o PIB da área do euro, o consumo privado, o investimento empresarial, a inflação medida pelo IHPC e as taxas de juro de curto prazo. No painel b), os choques financeiros são simulados utilizando um modelo BVAR mensal, que também inclui o índice VIX, e a frequência de incumprimento esperada tanto dos bancos como das empresas, condicionada pela trajetória do índice VIX, mostrando o impacto máximo nos diferenciais das obrigações e nas ações. As últimas observações para o índice VIX referem‑se a 11 de março de 2026.

Nos dois cenários, a incerteza acrescida resulta igualmente num aumento dos custos de financiamento dos bancos e das empresas, por via de variáveis financeiras, dos diferenciais das obrigações e dos preços das ações[16]. A subida acentuada do índice VIX traduzir‑se‑ia em custos de financiamento significativamente mais elevados para os bancos e as empresas na área do euro. Por exemplo, no cenário grave, os diferenciais das obrigações aumentariam, no nível máximo, cerca de 70 pontos base e 35 pontos base, respetivamente, no caso dos bancos e das empresas, apresentando depois um estreitamento gradual no horizonte do cenário. Além disso, os preços das ações diminuiriam 10% para os bancos da área do euro e cerca de 7% para as empresas da área do euro (gráfico 12, painel b).

3.3 Impacto na economia mundial nos vários cenários

O impacto na atividade económica mundial e na procura externa da área do euro seria considerável. Mesmo pressupondo que ocorreria uma queda acentuada da atividade económica interna dos países do Médio Oriente, o impacto direto no PIB mundial e na procura externa da área do euro seria limitado, devido aos pesos reduzidos do comércio da região[17]. Todavia, de acordo com as simulações utilizando o modelo “ECB‑Global”, surgiriam efeitos redutores mais substanciais através dos preços mais altos do petróleo e do gás. Os preços do petróleo são determinados num mercado mundial, pelo que as perturbações no Médio Oriente aumentam os preços do petróleo para todos os países. Em contrapartida, os mercados do gás são mais regionais: o gás do Médio Oriente é exportado sobretudo para a Ásia, que concorre com a área do euro por abastecimento de gás. Por conseguinte, pressupõe‑se que os preços mais elevados do gás afetem diretamente os países asiáticos, a área do euro e o Reino Unido, enquanto nos Estados Unidos e no resto do mundo os preços do gás aumentam menos, dado que são menos afetados diretamente.

O impacto macroeconómico difere nos vários cenários com base na persistência dos choques energéticos e de incerteza. No cenário adverso, pressupõe‑se que a subida pronunciada dos preços dos produtos energéticos e da incerteza mundial sejam temporárias e se desvaneçam de forma relativamente rápida. Em resultado, os efeitos, a nível mundial, na atividade económica real e na inflação são de curta duração, com uma diminuição do produto e uma subida da inflação em 2026, antes da recuperação gradual economia. Em contraste, o cenário grave pressupõe choques maiores e mais persistentes, conducentes a um crescimento económico mais fraco a nível mundial (incluindo nos Estados Unidos), no decurso de 2027, e a uma inflação mais alta no curto prazo (gráfico 13, painel a). A reação da política monetária fora da área do euro travaria a dinâmica dos preços, mas com um desfasamento. Os países mais expostos a custos energéticos mais elevados – em particular, na Ásia – registariam maiores perdas económicas. Pelo contrário, os preços mais elevados do petróleo e do gás beneficiariam exportadores de produtos energéticos, como a Noruega e o Canadá.

As perturbações nas exportações de produtos energéticos dos países do Médio Oriente pesariam sobre a procura mundial e, com algum desfasamento, sobre a procura externa da área do euro. Tanto no cenário adverso como no cenário severo, as exportações de produtos energéticos dos países do Médio Oriente seriam restringidas e a atividade económica nesses países seria perturbada. A área do euro tem uma exposição limitada ao comércio não energético com o Irão e outros países do Médio Oriente e pressupõe‑se que não ocorrem perturbações adicionais do aprovisionamento não energético. Os preços mais elevados dos produtos energéticos restringem o PIB mundial, reduzindo, assim, a procura de exportações da área do euro, embora com algum desfasamento. O aumento da incerteza mundial também travaria a atividade económica mundial e a procura externa da área do euro através de preços das ações mais baixos e de um investimento privado mais fraco a nível mundial (gráfico 13, painel b).

Gráfico 13

Impacto nos Estados Unidos e na economia mundial excluindo a área do euro

a) Estados Unidos

b) Economia mundial excluindo a área do euro

(desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

(desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

Fontes: BCE e cálculos do BCE.
Notas: As simplificações são efetuadas num quadro de previsão utilizando o modelo “ECB‑Global” com a política monetária da área do euro como variável exógena.

3.4 Impacto na economia da área do euro nos vários cenários

No cenário adverso, pressupõe‑se que o impacto na economia da área do euro é temporário e que parte dos impactos inflacionistas se desvanece, refletindo o perfil transitório dos choques (gráfico 14). Estes efeitos funcionam sobretudo através de uma redução do rendimento disponível real devido a custos mais elevados dos produtos energéticos, uma procura externa mais fraca e condições financeiras mais restritivas através do canal VIX que afeta as decisões de investimento. De acordo com as simulações utilizando o modelo “ECB‑BASE”, o crescimento do PIB real é cerca de 0,3 pontos percentuais mais baixo do que nas projeções de referência no tocante a 2026 e cerca de 0,1 pontos percentuais mais baixo no que respeita a 2027. Com a normalização dos preços dos produtos energéticos e da incerteza, o crescimento do PIB recupera algumas das perdas, situando‑se 0,2 pontos percentuais acima das projeções de referência em 2028. O choque energético é o principal fator impulsionador do abrandamento, conduzindo especialmente a um menor consumo. As repercussões a nível mundial (que reduzem as exportações da área do euro) e a incerteza (que pesa sobre o investimento) também contribuem. A inflação global medida pelo IHPC é 0,9 pontos percentuais mais elevada em 2026, em virtude dos preços mais altos dos produtos energéticos. Como os preços dos produtos energéticos diminuem muito rapidamente de níveis elevados, a inflação global medida pelo IHPC é 0,1 pontos percentuais mais alta em 2027, mas 0,5 pontos percentuais mais baixa em 2028, devido às pressões desinflacionistas decorrentes da rápida normalização dos preços dos produtos energéticos, após 2026, neste cenário.

No cenário grave, parte‑se do pressuposto de que os preços dos produtos energéticos têm um efeito mais forte e mais duradouro, sendo acompanhados de efeitos de incerteza acrescida. O crescimento do PIB real é 0,5 e 0,4 pontos percentuais mais baixo, respetivamente, em 2026 e 2027, com taxas de crescimento trimestrais negativas no segundo e terceiro trimestres de 2026 (gráfico 14, painel a). Ainda que o choque energético permaneça o principal fator impulsionador, a incerteza também desempenha um papel e amplifica a recessão, a par das repercussões a nível mundial. A inflação medida pelo IHPC é 1,8 pontos percentuais mais elevada em 2026 e permanece alta, sendo 2,8 pontos percentuais superior às projeções de referência para 2027 e 0,7 pontos percentuais superior às projeções de referência para 2028. Os efeitos na inflação medida pelo IHPCX são mais fortes do que no cenário adverso, em mais de 1 ponto percentual em 2027 e 2028.

Gráfico 14

Impacto na área do euro por canal nos cenários adverso e grave

a) PIB real

b) IHPC

(desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

(desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

Fonte: Cálculos de especialistas do BCE baseados em simulações utilizando o modelo “ECB‑BASE”.
Notas: As simulações são realizadas num quadro de previsão utilizando o modelo “ECB‑BASE” e o resto do sistema do modelo responde de forma endógena. A incerteza inclui igualmente choques financeiros no cenário severo, como descrito na secção 3.2.2.

Os cenários incorporam efeitos de inflação indiretos e de segunda ordem mais fortes do que os implícitos nas elasticidades normais baseadas nos modelos, a fim de ter em conta as não linearidades na transmissão de grandes choques inflacionistas aos preços e aos salários, como os observados durante a crise energética de 2021/2022. As regularidades históricas subjacentes aos modelos de projeção – como o modelo “ECB‑BASE” e os modelos de projeção normais utilizados pelos bancos centrais nacionais no Eurosistema – implicam, em geral, uma transmissão relativamente limitada dos choques sobre os preços dos produtos energéticos a outros preços no consumidor. No entanto, a experiência do episódio de inflação elevada de 2021/2022 sugere que pode ocorrer uma transmissão muito mais forte entre as componentes de preços na sequência de choques inflacionistas anormalmente elevados. Vários fatores podem explicar por que razão a transmissão observada durante esse período excedeu as regularidades históricas, incluindo a dimensão excecional do choque sobre os preços dos produtos energéticos, outras potenciais não linearidades no comportamento de fixação de preços durante períodos de inflação elevada, de dinâmica de reabertura após a pandemia e de restrições da oferta em vários setores. A recalibração de determinados parâmetros fundamentais dos modelos permite um reforço dos mecanismos de transmissão em comparação com a configuração normal dos modelos, tendo em conta o choque significativo sobre os preços dos produtos energéticos subjacente aos cenários adverso e grave. Em particular, com base nas considerações suprarreferidas, os parâmetros dos modelos que regem a transmissão dos preços dos produtos energéticos a outros preços e aos salários são ajustados de modo a que as elasticidades implícitas se situem entre a calibração dos modelos das projeções de referência e as elasticidades mais elevadas observadas durante a recente subida acentuada da inflação[18].

Gráfico 15

Perspetivas para as principais variáveis da área do euro nas projeções de referência e nos cenários alternativos

a) PIB

b) Desemprego

(variação em termos trimestrais em cadeia (%); dados trimestrais corrigidos de sazonalidade e de dias úteis)

(em percentagem da população ativa)

c) IHPC

d) IHPCX

(variação anual em percentagem)

(variação anual em percentagem)

e) Componente de produtos energéticos do IHPC

f) Remuneração por trabalhador

(variação anual em percentagem)

(variação anual em percentagem)

Fonte: Cálculos de especialistas do BCE baseados em simulações utilizando o modelo “ECB‑BASE”.

Mecanismos de transmissão mais fortes não só aumentam a resposta inicial da inflação, como implicam também uma dinâmica de preços mais persistente no horizonte de projeção. Embora o choque direto sobre os preços dos produtos energéticos seja o principal fator impulsionador da subida de curto prazo da inflação, uma transmissão mais forte aos preços dos produtos alimentares e a presença de mecanismos de segunda ordem contribuem para pressões inflacionistas mais sustentadas no segundo e terceiro anos do horizonte de projeção. Sem estes mecanismos de amplificação, a resposta da inflação seria mais limitada, tanto numa fase inicial – devido a uma transmissão mais fraca – como em anos posteriores, dado que os efeitos de base da descida dos preços dos produtos energéticos conduziriam a uma queda mais rápida da inflação. Em contraste, reações mais fortes dos preços dos produtos alimentares e efeitos indiretos e de segunda ordem aumentam as pressões sobre a inflação medida pelo IHPCX e geram uma subida mais persistente da inflação global, também porque o aumento do crescimento salarial é prolongado[19]. Em termos reais, uma transmissão mais forte conduz inicialmente a uma maior diminuição do crescimento do PIB, visto que os preços mais altos dos produtos energéticos e dos produtos alimentares reduzem os rendimentos reais das famílias e pesam sobre o consumo – em parte, através de um desemprego mais elevado. Contudo, em anos posteriores, o crescimento salarial mais forte proporcionaria algum apoio aos rendimentos e ao consumo das famílias, moderando os efeitos negativos sobre o crescimento do PIB. Além disso, expectativas de inflação mais elevadas reduziriam as taxas de juro reais, o que também apoiaria o investimento nos últimos anos do horizonte de projeção.

3.5 Limitações da análise de cenários

Estas análises de cenários não incluem quaisquer respostas de política monetária ou orçamental, que mitigariam o impacto da inflação, nem outros canais passíveis de afetar o impacto macroeconómico. De acordo com a convenção habitual utilizada para análises de cenários nas projeções elaboradas por especialistas do BCE/Eurosistema, os cenários pressupõem que a política monetária e as políticas orçamentais permanecem inalteradas em comparação com as projeções de referência. Os aumentos significativos da inflação – em especial, no cenário grave – provavelmente seriam compensados, em parte, por uma política monetária mais restritiva ou por medidas de apoio orçamental passíveis de reduzir os preços no consumidor dos produtos energéticos – como observado no episódio de inflação elevada de 2022/2023. Outros canais não explicitamente considerados nas análises incluem perturbações no comércio não energético por via de restrições da oferta; efeitos nos preços de matérias‑primas não energéticas (por exemplo, nos preços dos fertilizantes ou do alumínio); possíveis impactos positivos no setor do turismo dos países da área do euro, que podem beneficiar de um turismo que, em outras circunstâncias, teria fluído para o Médio Oriente; e efeitos decorrentes de pressões migratórias relacionadas com uma potencial crise de refugiados.

4 Análises de sensibilidade

4.1 Trajetórias alternativas dos preços dos produtos energéticos

As trajetórias alternativas dos preços das matérias‑primas energéticas sugerem riscos em alta significativos para a inflação nas projeções de referência – em particular, no curto prazo. As projeções de referência têm por base os pressupostos técnicos descritos na caixa 2. Atendendo à elevada incerteza em torno dos preços dos produtos energéticos, devido à guerra em curso no Médio Oriente, além dos percentis 25 e 75 normalmente aplicados, esta análise de sensibilidade também considera trajetórias alternativas em alta e em baixa determinadas a partir dos percentis 5 e 95 das densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções para os preços do petróleo e do gás[20]. As densidades implícitas extraídas das opções indicam que os riscos de curto prazo para os preços do petróleo se encontram fortemente enviesados em sentido ascendente. Este enviesamento reflete as preocupações dos investidores relativamente à possível interrupção dos fluxos de petróleo através do estreito de Ormuz – que representam cerca de 20% da oferta mundial e já estão a sofrer perturbações – durante um período prolongado, com possibilidades limitadas de reencaminhamento de remessas a curto prazo (gráfico 16). Nessa situação, a própria produção de petróleo poderia vir a ser reduzida, devido a insuficiente capacidade de armazenamento. Além disso, os participantes no mercado estão igualmente preocupados com o facto de os ataques militares poderem prejudicar a capacidade de produção de petróleo da região, com efeitos mais persistentes. Em contraste, a perceção do risco em horizontes mais alargados mantém‑se ligeiramente mais equilibrada, podendo sugerir que os investidores esperam que o conflito permaneça contido. As densidades implícitas extraídas das opções também apontam para riscos em sentido ascendente elevados para os preços do gás, visto que cerca de 20% dos fluxos mundiais de GNL transitam pelo estreito de Ormuz. Em termos percentuais em relação às projeções de referência, os riscos em alta para os preços do gás parecem ser mais pronunciados do que para os preços do petróleo, espelhando o atual nível historicamente baixo das existências de gás na Europa. É igualmente realizada uma análise de sensibilidade a preços constantes para os preços do petróleo e do gás. Em cada caso, é calculado um índice sintético de preços dos produtos energéticos (uma média ponderada das trajetórias dos preços do petróleo e do gás) e os efeitos são avaliados utilizando modelos macroeconómicos do BCE e do Eurosistema. Os resultados médios desses modelos são apresentados no quadro 6. Estes resultados baseiam‑se nos modelos aplicados em modos de projeção normais e excluem quaisquer aumentos de elasticidades relacionados com efeitos indiretos e de segunda ordem, que são incluídos nos cenários associados à guerra no Médio Oriente, enunciados na secção 3.

Gráfico 16

Trajetórias alternativas dos pressupostos relativos aos preços dos produtos energéticos

a) Pressuposto relativo aos preços do petróleo

(USD/barril)


b) Pressuposto relativo aos preços do gás

(EUR/MWh)

Fontes: Morningstar e cálculos do BCE.
Notas: As densidades implícitas dos preços do petróleo e do gás são extraídas das cotações de mercado, em 11 de março de 2026, de opções em contratos de futuros de petróleo Brent na Intercontinental Exchange (ICE) e em contratos de futuros de gás natural na Title Transfer Facility (TTF, a facilidade de transferência de títulos neerlandesa), com datas de vencimento trimestrais fixas.

Quadro 6

Trajetórias alternativas dos preços dos produtos energéticos e impacto no crescimento do PIB real e na inflação medida pelo IHPC

(desvios em relação aos níveis das projeções de referência, em percentagem; desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

Preços do petróleo

Preços do gás

Índice sintético de preços dos produtos energéticos

Crescimento do PIB real

Inflação medida pelo IHPC

Trajetória 1: percentil 5

2026

‑33,3

‑32,1

‑32,5

0,0

‑1,0

2027

‑44,3

‑43,6

‑44,1

0,6

‑1,2

2028

‑39,3

‑55,1

‑44,1

0,5

‑0,6

Trajetória 2: percentil 25

2026

‑14,9

‑14,7

‑14,7

0,0

‑0,4

2027

‑16,9

‑21,2

‑18,3

0,3

‑0,4

2028

‑15,9

‑25,4

‑18,6

0,2

‑0,2

Trajetória 3: percentil 75

2026

20,2

22,3

21,2

0,0

0,6

2027

19,2

31,7

23,5

‑0,3

0,5

2028

18,9

33,6

23,1

‑0,2

0,3

Trajetória 4: percentil 95

2026

73,9

113,0

87,9

‑0,1

2,2

2027

65,9

131,7

88,2

‑1,1

1,8

2028

64,1

122,4

80,5

‑0,9

0,9

Trajetória 5: preços constantes

2026

4,2

1,1

3,1

‑0,2

0,1

2027

21,8

35,3

26,5

‑0,3

0,7

2028

25,1

89,9

43,2

‑0,3

0,8

Notas: Nesta análise de sensibilidade, é utilizado um índice sintético de preços dos produtos energéticos, que combina os preços dos futuros do petróleo e do gás. Os vários percentis referem‑se às densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções para os preços do petróleo e do gás em 11 de março de 2026. Os preços constantes do petróleo e do gás correspondem aos respetivos valores na mesma data. Os efeitos macroeconómicos são apresentados como médias de vários modelos macroeconómicos desenvolvidos por especialistas do BCE e do Eurosistema. Em alguns modelos, a resposta substancial da inflação a um aumento dos preços dos produtos energéticos conduz – pressupondo que a política monetária se mantém inalterada (em comparação com os pressupostos subjacentes às projeções de referência baseados nas expectativas do mercado quanto às taxas de juro) – a uma descida considerável das taxas de juro reais e a um efeito expansionista temporário da procura, que atenua a resposta média do PIB no curto prazo.

4.2 Trajetórias alternativas da taxa de câmbio

Trajetórias alternativas da taxa de câmbio sugerem a possibilidade de nova apreciação do euro, especialmente no médio prazo, indicando, portanto, alguns riscos em sentido descendente para o crescimento e a inflação. Os pressupostos técnicos relativos às taxas de câmbio nas projeções de referência são mantidos constantes ao longo do horizonte de projeção. As trajetórias em sentido ascendente e descendente alternativas são calculadas a partir dos percentis 25 e 75 das densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções para a taxa de câmbio USD/EUR em 11 de março de 2026, que apresentava um enviesamento no sentido de uma apreciação modesta do euro (gráfico 17). Os efeitos dessas trajetórias alternativas são avaliados utilizando modelos macroeconómicos desenvolvidos por especialistas do BCE e do Eurosistema. O quadro 7 apresenta o impacto médio no crescimento do produto e na inflação nos vários modelos.

Gráfico 17

Trajetórias alternativas da taxa de câmbio USD/EUR

Fontes: Bloomberg e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: Um aumento implica uma apreciação do euro. Os percentis 25 e 75 referem‑se às densidades implícitas, neutras em termos de riscos, extraídas das opções para a taxa de câmbio USD/EUR em 11 de março de 2026.

Quadro 7

Impacto de trajetórias alternativas da taxa de câmbio no crescimento do PIB real e na inflação medida pelo IHPC

Trajetória 1: percentil 25

Trajetória 2: percentil 75

2026

2027

2028

2026

2027

2028

Taxa de câmbio USD/EUR

1,14

1,11

1,10

1,19

1,24

1,27

Taxa de câmbio USD/EUR
(percentagem de desvio em relação às projeções de referência)

‑1,9

‑4,0

‑5,1

2,5

6,5

9,5

(desvios em relação às projeções de referência para as taxas de crescimento, em pontos percentuais)

Crescimento do PIB real

0,0

0,1

0,1

‑0,1

‑0,2

‑0,2

Inflação medida pelo IHPC

0,0

0,1

0,1

‑0,1

‑0,2

‑0,3

Fontes: Bloomberg e cálculos de especialistas do BCE.
Notas: Um aumento implica uma apreciação do euro. Os percentis 25 e 75 referem‑se às densidades implícitas, neutras em termos de risco, extraídas das opções para a taxa de câmbio USD/EUR em 11 de março de 2026. Os efeitos macroeconómicos são apresentados como médias de vários modelos macroeconómicos desenvolvidos por especialistas do BCE e do Eurosistema.

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Para uma definição da terminologia específica, consultar o glossário do BCE

HTML ISBN 978‑92‑899‑7793‑7, ISSN 2529‑4571, doi:10.2866/6449013, QB‑01‑26‑090‑PT‑Q


  1. A data de fecho da informação de 11 de março de 2026 para os pressupostos técnicos corresponde a dois dias antes da finalização das projeções, estando invulgarmente próxima da data da reunião do Conselho do BCE dedicada à política monetária, tendo em conta a evolução geopolítica extraordinária e a necessidade de incluir informação sobre a rápida evolução da situação. Estes pressupostos baseiam‑se na média dos dados do mercado durante os três dias até à data de fecho da informação. Trata‑se de um horizonte mais estreito do que os dez dias habitualmente utilizados para a elaboração das projeções e significa que foram considerados apenas os dados após o início da guerra no Médio Oriente. As projeções para o enquadramento internacional foram finalizadas em 11 de março e as projeções para a área do euro em 13 de março de 2026. Devido ao pouco tempo disponível para finalizar as projeções, não foi possível produzir algumas das variáveis detalhadas normalmente reportadas.

  2. As projeções dos especialistas do BCE são produzidas de forma iterativa. São atualizadas e aperfeiçoadas, à medida que é disponibilizada nova informação. As projeções de referência referem‑se às projeções finais de março de 2026, que utilizam pressupostos técnicos com uma data de fecho da informação de 11 de março. As projeções com uma data de fecho da informação de 4 de março referem‑se à anterior iteração das projeções dos especialistas do BCE, elaboradas na fase inicial da guerra. São incluídas no quadro 1, de forma a dar uma indicação de perspetivas mais benignas, em que os preços do petróleo e do gás baixariam mais rapidamente do que nas projeções de referência finais.

  3. “Procura interna modificada” inclui o consumo privado e público e uma medida modificada do investimento que exclui aquisições de aeronaves para locação e determinadas aquisições de propriedade intelectual. Excluem‑se desta medida as importações, as exportações e a variação de existências da Irlanda. Para mais informações, consultar o sítio Web do instituto nacional de estatística da Irlanda.

  4. Estima‑se que o impacto na inflação incluído nas projeções de referência seja inferior a 0,1 pontos percentuais, em termos cumulativos, no período de 2025 a 2028.

  5. Salvo indicação em contrário, nesta caixa, as referências a agregados mundiais de indicadores económicos excluem a área do euro.

  6. A inflação global mundial medida pelo IPC é calculada como a média ponderada das taxas de inflação em 23 países, incluindo 14 economias avançadas (designadamente, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Suíça, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Dinamarca, Noruega, República Checa, Hungria, Polónia e Roménia) e nove economias emergentes (China, Rússia, Brasil, Índia, Turquia, Coreia, México, Singapura e Hong Kong).

  7. Embora sejam categorias de menor importância, vários produtos da área do euro (por exemplo, circuitos eletrónicos, suportes gravados e impressos, alguns produtos químicos, etc.) que deveriam estar isentos estão agora sujeitos a direitos aduaneiros ao abrigo do novo regime de pauta única.

  8. Considera‑se que o recente acordo comercial entre a UE e a Índia, que envolve uma introdução gradual de direitos aduaneiros mais baixos, e o acordo UE‑Mercosul ainda pendente têm apenas efeitos limitados na atividade da área do euro durante o horizonte de projeção.

  9. Em particular, as margens de refinação do gasóleo aumentaram significativamente desde 27 de fevereiro, devido à guerra no Médio Oriente, pressupondo‑se que diminuam no curto prazo. O ritmo e a dimensão desta normalização implicam incertezas adicionais significativas quanto às perspetivas de curto prazo para a inflação dos preços dos produtos energéticos.

  10. Ver a caixa intitulada “Impacto macroeconómico na área do euro de políticas relacionadas com as alterações climáticas” nas projeções macroeconómicas de dezembro de 2025 para a área do euro elaboradas por especialistas do Eurosistema.

  11. As projeções orçamentais baseiam‑se no conjunto de projeções finalizadas com uma data de fecho da informação de 4 de março de 2026.

  12. A orientação orçamental da área do euro é definida como a variação do saldo primário corrigido do ciclo e, do lado das receitas, também corrigido de subvenções do NGEU. Enquanto a orientação orçamental é uma medida do topo para a base da direção das políticas orçamentais, as medidas orçamentais discricionárias são avaliadas utilizando uma abordagem da base para o topo. Estas medidas captam variações das taxas de imposto, benefícios fiscais e outras despesas públicas que foram ou provavelmente serão aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países da área do euro.

  13. Preparado por E. Angelini, A. Bobasu, G. Bušs, A. Dieppe, P. Di Casola, A. Kornprobst, G. Nicoletti, A. Stalla‑Bourdillon, T. Kockerols e S. Zimic, com contributos de N. Rebmann e L. Demuth.

  14. Parte do impacto do choque do abastecimento sobre os preços do petróleo nos cenários adverso e severo é mitigado pelo pressuposto de que uma porção dos fluxos de petróleo da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos podem ser reencaminhados através da infraestrutura de oleodutos existente.

  15. A fim de estimar o impacto da incerteza no PIB real da área do euro, foram realizadas simulações de previsões condicionais utilizando um modelo bayesiano de autorregressão vetorial (Bayesian vector autoregression – BVAR) empírico, com base nas trajetórias de incerteza dos mercados financeiros contidas nos dois cenários. Os efeitos no PIB real são obtidos em relação a uma simulação de previsão incondicional dentro do mesmo quadro empírico.

  16. A fim de quantificar estes efeitos, utiliza‑se a trajetória do índice VIX no respetivo cenário para condicionar um modelo BVAR, que inclui variáveis financeiras fundamentais da área do euro, permitindo que as suas trajetórias sejam determinadas de forma coerente com os cenários.

  17. O Médio Oriente representa cerca de 4,5% das exportações da área do euro.

  18. As elasticidades observadas durante o episódio de inflação elevada de 2021/2022 implicaram uma transmissão mais forte dos choques sobre os preços dos produtos energéticos aos preços no consumidor do que as captadas nos modelos de projeção normais. A interpretação das respostas a picos de preços como elasticidades indicativas sugere a transmissão de, aproximadamente, 35% de um índice sintético de preços das matérias‑primas energéticas (que constitui uma média ponderada dos preços do petróleo e do gás) à componente de produtos energéticos do IHPC, 25% à componente de produtos alimentares do IHPC, 10% ao IHPCX e 13% ao IHPC global. No que respeita ao IHPC global, os cenários recalibrados fixam a transmissão como uma fração do episódio observado. No cenário adverso, a recalibração fixa a transmissão ao IHPC em cerca de um terço da elasticidade observada em 2021/2022, enquanto, no cenário grave, esta aumenta para cerca de dois terços.

  19. Os efeitos indiretos e de segunda ordem são captados através de três mecanismos: i) uma transmissão mais forte dos preços dos produtos energéticos à inflação medida pelo IHPCX na curva de Phillips, refletindo pressões sobre os custos marginais mais elevadas; ii) uma maior indexação salarial conducente a um crescimento mais forte dos salários nominais; e iii) expectativas de inflação a longo prazo mais reativas à evolução da inflação medida pelo IHPC.

  20. Os preços de mercado utilizados são os prevalecentes em 11 de março de 2026 (a data de fecho da informação para os pressupostos técnicos).

Annexes
19 March 2026